É normal fazer algumas reclamações de vez em quando na vida. Por exemplo, quando o dia está muito quente ou frio, se ficamos presos no trânsito, ou na fila do banco etc. Normal. No entanto, muitas pessoas têm esse hábito como corriqueiro e habitual em suas vidas, e reclamam mesmo sem motivo aparente.
Se você conhece alguém assim, ou até mesmo está começando a se identificar com isso, o texto a seguir é muito importante, pois traça uma perspectiva científica sobre como reclamar afeta nosso estado mental, ou, mais precisamente, os nossos cérebros.
As reclamações e os efeitos no cérebro
A flexibilidade do cérebro humano permite que ele seja moldado por bons hábitos, implementando mudanças positivas no dia a dia. Infelizmente, cada moeda tem dois lados, e as pessoas que pensam negativamente e se comportam dessa forma tornam suas mentes negativas, criando um círculo vicioso de pensamentos nebulosos do qual é difícil sair. Mas é possível.
Essas pessoas não tendem a esconder seus sentimentos. Elas são realmente mais propensas a reclamar de forma proeminente, e dessa forma acabam sendo evitadas pelos outros. Reclamações constantes se dividem em três categorias, uma das quais você deve se identificar de alguma forma:
1. Em busca de atenção: essas pessoas buscam um tipo de atenção positiva através de queixas negativas e tendem a dizer que suas vidas são muito precárias em relação a outras. No entanto, aqueles que se queixam em busca de atenção geralmente criam o efeito oposto, porque as pessoas ao seu redor não têm energia para isso. Em muitos casos, as pessoas preferem se distanciar dos reclamões.
2. O reclamão crônico: pessoas desse tipo vivem em um ciclo constante de queixas, sentindo muita autopiedade em busca da piedade dos outros. Psicólogos argumentam que esse comportamento é compulsivo e que essas pessoas alcançam um ponto em que é difícil resistir ao desejo de reclamar, e não conseguem ver que precisam de ajuda.
3. Baixa inteligência emocional: ao contrário dos tipos anteriores, as pessoas que se enquadram nesse grupo não desejam as opiniões ou sentimentos das pessoas que as cercam. Se você se deparar com pessoas desse tipo, o que mais interessa é simplesmente reclamar para alguém que as escute, e a reação alheia é o menos importante.
E como o cérebro trabalha nesse caso?
Embora possa não parecer assim, as pessoas que se queixam com frequência na verdade não querem se sentir assim. O ciclo incessante de pensamentos negativos os leva a fazer suas queixas, que por sua vez acabam assumindo completamente seus pensamentos. De acordo com o Dr. Rick Hanson, neurocientista e autor do O Cérebro de Buda: Neurociência Prática Para a Felicidade, os pensamentos negativos levam a uma maior estimulação cerebral do que uma série de pensamentos idênticos e positivos, de modo que a repetição de pensamentos e queixas negativas fortalece as conexões cerebrais que afetam nosso comportamento.
Michael Merzenich, conhecido pesquisador e neurologista, também provou as mudanças positivas que o cérebro pode sofrer em um extenso estudo publicado em 2014. No estudo, ele examinou as mudanças no cérebro dos participantes após a administração de tratamentos psicológicos com o objetivo de melhorar a vida das pessoas.
Quando mudamos hábitos, padrões de pensamento e a forma como nos expressamos, podemos criar uma realidade mais positiva para nós mesmos, mesmo que nada tenha mudado externamente. Para isso, você pode realizar exercícios relaxantes de meditação todos os dias, que têm inúmeros benefícios e podem ajudar a transformar a sua vida de forma positiva e surpreendente.
Para complementar, assista agora à palestra do professor Michael Merzenich sobre a flexibilidade cerebral, cada vez mais comprovado pela ciência. Para assistir com legendas em português, clique neste ícone para ativar as legendas, e depois neste ícone
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